Gestão com Pessoas na Segurança do Trabalho

Artigo publicado na Revista CIPA – São Paulo.

 

             O grande desafio de muitas organizações empresariais está em criar o ambiente favorável para o desenvolvimento do potencial humano. Notadamente pessoas motivadas, interativas e valorizadas dentro de empresas, geram maior compromisso com a vida e com atitudes de redução de acidentes de trabalho. Transformar a segurança do trabalho numa prática estratégica e essencial é tarefa de todos, mas é natural que os impulsos para nobre ascensão do valor da vida, estejam no compromisso e na missão eficaz e exemplar das pessoas que ocupam cargo de gestores na alta administração. E que essa ação comprometida seja percebida e praticada, pelas lideranças nos modelos de gestão empresarial, de modo a constituir efeitos multiplicativos nos colaboradores da empresa.

 

            É claro que, os profissionais especializados do Sesmet (Serviço Especializado de Segurança, Medicina e Engenharia do Trabalho) e os integrantes da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), exercem vital importância na solidificação das idéias preventivas. Possuem responsabilidades no processo de comunicação e revelação dos benefícios da segurança do trabalho e das formas de proteção da integridade física e psíquica do ser humano. Dessas pessoas esperamos atitudes que transformem os espaços de trabalho em laços compatíveis na junção de interesses humanos, produtivos e econômicos do empreendimento. Muitas vezes nos defrontamos com a seguinte situação: produção ou segurança do trabalho. Ou Produção com segurança do trabalho. Observa-se neste contexto de prioridades a grande questão a ser compatibilizada.

 

            Em muitas empresas a produção está interpretada pelos gestores como que projetada num grau de maior importância, suprimindo o valor do indivíduo. É comum nesses ambientes, pensar no valor da pessoa depois do acidente. Lamentavelmente, nestes episódios a ação corretiva é marca característica e quase sempre acompanhada das conseqüências do fato acidentário. Em outras organizações, observamos um setor de segurança ativo e com força, onde a compatibilização não só é possível, como desejável. E já estamos ouvindo dizer que em alguns lugares “a segurança do trabalho está em primeiro lugar”. Quando essa “prática” existe, é notável a evolução. Escrevo prática porque vejo muitos programas e discursos ainda enaltecidos prioritariamente no papel, mas pouco sentido e percebido no universo mais extensivo dos trabalhadores.

 

            Para aqueles profissionais que por méritos e parcerias eficazes conquistaram patamares de maior valorização do setor de segurança do trabalho em organizações empresariais, é fundamental ressaltarmos nosso reconhecimento. São atitudes especiais de progressos que necessitamos, para que sirvam de referência e incentivo para todos os prevencionistas. Especialmente aqueles que sentem nesta atividade não apenas um compromisso profissional, mas fundamentalmente um sentido gratificante para suas vidas e para todas as pessoas que compartilham conosco seus passos e espaços de vivência. Promover a realização do salto fundamental no processo de gestão participativa das pessoas, muitas vezes implica em mudanças de conceitos e práticas, que várias empresas revelam não estar preparadas para contemplar. É impressionante o apego de algumas pessoas às rotinas surradas de administração, centralizadas em formatos isolados de poder. Neste contexto, a tradicional figura do chefe com todas as suas características autoritárias dominam o poder administrativo empresarial.

 

               Entre esses principais paradigmas a serem quebrados pelos gestores de pessoas, está a necessidade de depositarmos maior confiança na capacidade do indivíduo, no seu processo evolutivo e no poder do aprendizado. Isso requer oportunidades e espaços democráticos. Neste modelo de gestão centrada nas pessoas, está a valorização da segurança do trabalho e por conseqüência da vida e das equipes de trabalho. Nesta caminhada evolutiva, é essencial que possamos conceber uma nova gestão com pessoas, de maneira planejada e extensivamente preventiva no nível maior da cidadania, com suas reais conexões holísticas de efeitos afetivos e sociais. Neste contexto de valorização do ser humano nos processos produtivos, encontramos a ideia de compromisso de equipe permanente de todos. Atitude vital na gestão humana de objetivos comuns na direção da prevenção de acidentes e da qualificação da vida. Dessa forma contemplaremos o interesse econômico numa relação harmoniosa, realizada com o progresso da segurança do trabalho.

 

 

*MÁRCIO PADILHA – Professor especialista em treinamentos empresariais. Palestrante de SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho). Cursos de CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Cursos de Lideranças nas Empresas. Treinamentos com Temas de Gestão Integrada com Pessoas e Comunicação Empresarial. Experiência de Professor Coordenador do Curso Técnico em Segurança do Trabalho – IPUC – Canoas. Experiência de Professor do Curso de pós- graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e de MBA em Comunicação Empresarial. Site: www.marciopadilha.com

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